segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Capítulo 5: O Despertar


          _ Filha, acorda!
          Levantei como se tivesse despertado de uma viagem profunda... como se estivesse atravessado um vortex... o da minha própria alma.
          Virei o rosto para a minha mãe esperando pela pior das respostas:
          _E a senhora que estava comigo...? – disse pausadamente.
          _ Foi só um pesadelo, nada mais, Alice!
          _Mas... – não deu tempo de continuar o que eu pretendia dizer
          _Sem 'mas', agora tente descansar.
          Ouvi os passos dela em direção à porta.
          Alguns pensamentos começaram a atormentar-me... Qual a probabilidade de eu ter mergulhado no fundo do meu âmago e ter tido o sonho mais real de todos e qual as chances de eu ter provado o gosto da morte seja por um segundo? Pareciam iguais e distantes ao mesmo tempo.   Não tinha sido uma utopia dos meus sonhos... Não tinha... Ainda podia sentir os calafrios da escuridão chegando mais perto... Foi por um triz.
          E aquela senhora que estava comigo? Quem seria ela além de uma grande charada?


          Terminou de anoitecer. Abri minha janela e resolvi ficar no parapeito tentando espantar as interrogações que surgiam. A lua estava num brilho cintilante; mesmo sendo o reflexo do Sol ainda me fascinava. A brisa invadia o meu rosto e fazia com que o ar ficasse mais fresco, além de fazer que as folhas dos pinheiros farfalhassem e invadisse o silencio. Havia vagalumes lá em baixo em volta do jardim. Acima o imenso horizonte azul escuro parecia guardar a sete chaves histórias que muitos nunca hão de saber. É bom estar aqui fitando a glória das estrelas também. Como é bom parar e tentar ver o que o tempo tenta consumir: o que está a nossa volta.
          As horas se passaram e não me dei conta de que já era tarde. Deixei a janela aberta a fim de arejar um pouco o meu quarto.
          Logo de manhã, tomei meu suco e sai para andar de patins. Minha mãe ia para um feira de moda em Oxford. Meu pai ia ficar três dias fora para uma competição de tênis. Então, praticamente, eu ia passar a semana me virando em casa.
          O dia estava ensolarado e o parque parecia um ótimo lugar para ver gente. Liguei para o Larry e  para a Pey para almoçarmos juntos no Pink's depois de fazermos algo.
          _ Bonjour! - cantarolou Penelope.
          _ Como é Penelope? Bonjour? Assim que fala? - imitou comicamente para irritá-la.
          _ URG, Lerry!
           Nós três caímos na gargalhada. Larry foi na frente em seu skate. Achava um charme o desenho do Big Bang no chape do skate dele. Eu fui atrás com a Pey. Ela sabia que eu amava o patins dela. Era branco com detalhes azul-céu. Tentamos algumas manobras na pista dos skatistas, mas parece que não me machuquei por sorte. Quase ralei meu joelho todo um hora quando perdi o equilíbrio.
           Estava exausta. Ficamos a manhã toda lá. Apesar de estar quente, não estava muito no ponto de insuportável. Resolvemos parar e ir lanchar.
          Pey começou a tentar convencer o Larry a comprar umas coisinhas mais style. Era engraçado porque ele sempre dava um jeito de tirar um piadinha com ela. O pé de guerra entre os dois era umas das coisas que sempre me fazia rir.
           Ao olhar para frente vi o Lian. Parece que vinha a nossa direção e, pelo jeito, não iria desviar. O cabelo dele estava mais desarrumado do que geralmente. Vestia uma blusa branca com listras vermelhas e um símbolo no bolso à esquerda, um número doze bordado de dourado; uma calça boyfriend e um nike preto.
           _Alice, uma senhora pediu para que eu lhe entregasse isto.
           Olhei para as mãos dele e vi meu bloquinho de anotações com minha caneta. 
           _ Onde estavam? - olhei diretamente em seus olhos, mas depois desviei.
           _ Na verdade, uma senhora pediu para que eu entregasse a você. Disse que estava com pressa, por isso não entregou pessoalmente. Achei estranho, mas como eu conheço esse bloquinho... Enfim, tinha certeza que era seu.
           _Ah, obrigada. - sorri.
           Nenhum dos dois perguntaram como eu perdi o meu caderno de anotações. Simplesmente continuamos a caminhar até a minha lanchonete favorita. Sinceramente, o Pink's era o melhor lugar do mundo quando você quer comer um Cheese Burguer com Coca-Cola bem gelada.
           Fizemos o pedido e logo veio. Sentia-me gorda sempre que saia de lá. O Larry sempre dizia que não sabia como eu não engordava, chamava isso de um verdadeiro milagre. Eu sempre fazia a mesma pergunta, mas vai saber como isso não acontecia. Comemos e fomos embora. 
           Minha mãe ligou para a Tia Ingrid - mãe da Pey- para ver se eu poderia passar esses dias lá com elas só para eu não ficar sozinha. Eu gostava muito dela. Ela era totalmente divertida e aberta. Conversávamos muito quando eu ia para lá fazer trabalho. Minha mãe ligou para dizer que estava com saudades.
           Despedi-me do Larry e fui para casa. Fiquei de pegar algumas coisas minha para minha estadia essa semana fora de casa.
           _Preciso de água!! - disse Penelope
           _ Sabe onde fica a cozinha! - respondi- Vou subir para começar a arrumar minhas coisas.
           Ao chegar ao meu quarto vi sobre minha cama um embrulho. Não lembro de quando ter saído de casa ter visto algo do tipo. Tinha um bilhete: "Acho que você vai precisar disto". Rasguei o papel e vi a mesma capa bege que eu tinha vestido no meu "sonho".
        

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